A quinta carta de grandes gestores traz à tona a grande gestora, Brookfield Asset Management, que foi fundada em 1899 para financiar bondes e energia elétrica no Brasil. Hoje, a empresa se tornou uma participante global em ativos alternativos, possuindo sob sua gestão cerca de US$ 250 bilhões em imóveis, infraestrutura, projetos de energia renovável e private equity.

 

Sam Pollock, diretor de investimentos da Brookfield Infrastructure Partners e membro importante da equipe Brookfield há 23 anos, participou da entrevista “A Compelling case for alternative assets”, onde fala sobre as oportunidades de investimentos de longo prazo que vê em infraestrutura, especialmente nos países em desenvolvimento.

 

Insights de Pollock sobre os ativos alternativos de infraestrutura

Vendemos nossos ativos de mineração em 2005 e estávamos procurando investir os recursos obtidos. Em primeiro lugar, já estávamos fazendo muitos negócios imobiliários, além disso, queríamos encontrar algo semelhante. A infraestrutura, por exemplo, foi uma boa opção. A partir de 2007, entrei neste setor em tempo integral para desenvolver esse negócio.

Os sólidos resultados da Brookfield e várias grandes aquisições na Austrália e no Brasil possibilitaram retornos expressivos aos nossos investidores. Nosso fundo de infraestrutura que foi criado em 2008, registrou um retorno total de 19% ao ano. O estruturamos com um risco relativamente baixo. Fizemos algumas aquisições oportunas, como a compra do grupo australiano de infraestrutura, Babcock & Brown, em 2009 após a crise financeira.

Em geral, as oportunidades de infraestrutura são bens críticos e escassos, com altos custos de reposição e fatores de localização que lhes dão barreiras à entrada. Porém, essas altas barreiras costumam gerar margens altas. Hoje, este negócio possui margens de fluxo de caixa de cerca de 60%.

Países que mostram oportunidades em ativos alternativos de infraestrutura

Para nós, a infraestrutura vem se destacando expressivamente. Somos entusiasmados com vários mercados emergentes, em particular o Brasil e a Índia. O Brasil tem sido uma história de valor. É um país com grandes fundamentos de longo prazo, mas devido a especulação em torno dos casos de corrupção já vistos e a recente recessão, os investidores geralmente o evitam.

Dito isto, é melhor concentrar-se nos ativos de utilitário business-to-business. Esses seriam ativos de transmissão, ativos de oleoduto e outros, onde os clientes são empresas. É bom ter algumas empresas voltadas para o consumidor, mas nesse momento é melhor ter um portfólio diversificado para não ser muito afetado por um regulador ou ambiente político.

Conseguimos investir em ativos de altíssima qualidade e com bom valor, incluindo estradas com pedágio e transmissão de gás, por exemplo. Concluindo, mesmo com as instabilidades evidenciadas, o Brasil ainda é um lugar em que as pessoas devem se concentrar.

Já a Índia tem uma fabulosa história macro. Como resultado, provavelmente será o país que mais crescerá nos próximos dois anos. A situação política está mais estável do que nunca, portanto, vemos um ambiente extremamente favorável para investidores estrangeiros.

Também nos concentramos em países que conhecemos bem, como no caso da América do Sul, focamos não só no Brasil, mas também no Chile, Colômbia e Peru. Existem outros lugares onde você pode investir capital, mas eles não respeitam a lei e o capital privado.

 

 

Perspectiva de longo prazo para o investimento em infraestrutura

 

A classe de ativos alternativos, em especial a de infraestrutura, é atraente e crescente. Mesmo após dez anos, ainda estamos no início da formação de capital nesse setor. Existe um número tremendo de escavações de infraestrutura.

Para observar este mercado a longo prazo, o investidor deve medir como está o desenvolvimento do setor para decidir se realiza o aumento do capital, se é possível obter boas taxas e como a gestora responsável por gerir o seu capital o está investindo.

 

Uma oportunidade dentro de infraestrutura

Atualmente, gostamos do setor de infraestrutura de telecomunicações. Há uma sólida demanda que apoia grandes investimentos de capital na tecnologia do 5G e em outros lançamentos. Por esse motivo, várias empresas operacionais estão efetivamente securitizando seus negócios, principalmente os que envolvem torres sem fio e fibra de telecomunicações. Como o processo de implantação da tecnologia 5G ainda está em andamento, acaba sendo um local interessante para se procurar oportunidades.

 

 

A demanda por ativos alternativos de infraestrutura

O apetite por infraestrutura está mais forte do que nunca. Estamos vendo as alocações crescerem na América do Norte e na Europa, onde as pessoas investem em infraestrutura há cerca de 10 anos, mas continuam a aumentar sua alocação. Vemos muito capital vindo da Ásia, onde eles não estavam investindo tanto em infraestrutura ou em outros ativos alternativos. No entanto, acreditamos que nos próximos dois anos a Ásia passe a participar cada vez mais da demanda por ativos alternativos de infraestrutura.

 

Para ler o texto na íntegra, acesse: https://www.brookfield.com/sites/default/files/2019-02/A%20Compelling%20Case%20for%20Alternative%20Assets.pdf