Uma foto digital feita em 2005, na Carolina do Norte (EUA) foi vendida em abril deste ano pela bagatela de US$ 473 mil, o que, no momento da transação, equivalia a cerca de R$ 2,5 milhões. 

E mais. Essa foto é o registro de uma garota com um sorriso nos lábios enquanto um prédio pega fogo ao fundo. A imagem deixa a impressão de que foi ela quem colocou fogo no edifício, quando na realidade foram os próprios bombeiros que estavam participando de um treinamento. 

Por ter ficado “engraçada” a foto virou meme e rodou o mundo inteiro. Mesmo assim, foi comercializada por um preço tão alto. Como isso pôde acontecer?

Originalidade e exclusividade

A resposta é simples, o arquivo original da foto foi transformada em NFT, sigla em inglês que significa “Non-fungible Token” (Token não-fungível, em português), uma espécie de certificado digital, estabelecido via blockchain, que define originalidade e exclusividade a bens digitais. 

Vamos usar a obra mais famosa de Leonardo da Vinci, o retrato da Monalisa. Há várias cópias desse quadro mundo afora. Cópias perfeitas. Mas só uma é a obra original. E há formas de atestar isso analisando-se o tipo de tinta usado, os traços da assinatura do artista, por meio de ensaios químicos e físicos que possibilitam comprovar a idade da pintura etc.

Pois bem, a função da NFT é justamente essa. Separar a imagem original das demais. Só a original possui o conjunto de códigos conferidos pelo NFT, que é único. Seu código criptografado é o que dá aos agentes de mercado a confiança necessária para negociar o ativo sem o risco de estar pagando um preço alto por algo falsificado.

Outros arquivos também podem ser codificados

As fotos não são os únicos arquivos digitais que podem ser transformados em NFTs. Qualquer imagem, vídeos, músicas, mensagens, postagens em redes sociais etc, podem passar por esse processo de tokenização. Cópia, qualquer um pode ter, mas o original só existe um. Não por acaso, esse mercado tem crescido e, ano a ano, movimentado volumes financeiros maiores. A foto citada acima, comercializada a preço de obra de arte tradicional, é apenas um exemplo.

Na realidade, a tokenização, que começou com o surgimento das criptomoedas, vem se tornando comum. E, uma vez transformada em NFT, uma obra digital se torna interessante para colecionadores e também investidores, pois passam a ser consideradas ativos reais (alternativos) da mesma forma que pinturas, esculturas, composições musicais, carros e moedas antigas.