Vivemos em tempos diferentes onde se tornou difícil criar resiliência. Os investidores enfrentam o desafio de montar portfólios em um ambiente onde os preços dos ativos parecem desconectados da economia real e a solução para a crise da saúde ainda não se faz tão visível.

Nesta décima quinta carta de grandes gestores, a PIMCO discute com maior profundidade a perspectiva de alocação de ativos para mostrar como os investidores podem criar resiliência em meio as incertezas.

 

Considerações Gerais

Para aqueles investidores que possuem um portfólio já diversificado entre tipos de ativos, uma exposição moderada ao risco é atrativa. Para isso, se deve ter foco em empresas com perspectivas de crescimento. Elas também devem estar posicionadas para proporcionar lucros sólidos em um ambiente macroeconômico mais morno.

Como sempre, a diversificação robusta do portfólio é fundamental, mas conseguir isso exige uma abordagem multifacetada com ativos reais e que podem desempenhar um papel importante.

O lado positivo é que, frequentemente, a volatilidade e a incerteza levam a excelentes oportunidades de investimento. Acreditamos que os próximos trimestres apresentarão um cenário excelente para a gestão ativa, pois a natureza e o ritmo da recuperação criarão muitos vencedores e perdedores.

Isso deve proporcionar uma infinidade de oportunidades para agregar valor por meio da seleção de setores e da alocação tática de ativos. Acreditamos que portfólios cuidadosamente estruturados, bem diversificados e suficientemente ágeis devem estar na melhor posição para navegar pelos próximos meses.

 

 

Ações globais

As ações europeias e de mercados emergentes podem ser pontos de atenção já que essas regiões são mais cíclicas e, portanto, menos resilientes a um cenário negativo.

Do ponto de vista setorial, temos preferência por tecnologia e saúde, onde estão ocorrendo as inovações. Acreditamos que, nesses setores, as empresas inovadoras têm o potencial de proporcionar crescimento elevado de lucros mesmo em um mundo de crescimento baixo.

Crédito tradicional

Damos preferência a empresas de alta qualidade. Acreditamos que elas podem proporcionar retornos ajustados pelo risco atraente em diversos cenários de recuperação.  Ao mesmo tempo, estamos cautelosos com exposições a entidades altamente alavancadas.

Também vemos oportunidades em títulos de empresas financeiras selecionadas e capital bancário, bem como em créditos high yield não cíclicos com classificação BB.

Crédito não tradicional

Deslocamentos de preço em outras partes dos mercados de crédito também criaram oportunidades com risco/retorno atraentes. Continuamos a encontrar valor nos mercados de créditos estruturados, particularmente em títulos com rating AAA lastreados em um pool diversificado de ativos.

Nos mercados emergentes, preferimos a divida externa do que as classes de ativos que tendem a ser bastante sensíveis ao crescimento, por exemplo, ações, moedas e dívidas em moeda local.

Os mercados privados se movem mais lentamente que os públicos, e os sinais de tensão demoram mais a aparecer. Estamos começando a ver oportunidades atraentes em alguns segmentos, como nos empréstimos privados. Esperamos novos ajustes nos mercados de dívidas privadas ao longo dos próximos 12 meses, refletindo as condições econômicas mais fracas e uma concorrência menor entre os credores.

Como criar resiliência

Em suma, acreditamos que os investidores precisam empregar um conjunto de ferramentas muito mais amplo. Ele deve ser composto por ativos diversificadores com apoio explícito ou implícito do governo, moedas de baixo risco, ativos e estratégias alternativas.

Os investidores também podem considerar alocações em ouro, que tende a ser um ativo resiliente, além de ter proporcionado diversificação em várias recessões e períodos de incerteza macroeconômica elevada.

Para ler o relatório “Asset allocation takeaways building resiliency amid uncertainty”, acesse:

https://www.pimco.com.br/pt-br/insights/blog/asset-allocation-takeaways-building-resiliency-amid-uncertainty