Da série “cartas de grandes gestores”, Neuberger Berman nos traz suas perspectivas de oportunidades de investimentos em crédito privado e tendências econômicas para o restante de 2020. 

A gestora, fundada em 1939, possui escritórios espalhados por 35 cidades em todo o mundo e é responsável por elaborar uma série de estratégias diferentes para administrar recursos de investidores institucionais, consultores de investimentos e outros indivíduos. 

Tais estratégias incluem ações, renda fixa, fundos quantitativos e de múltiplos ativos, private equity, imóveis e hedge funds. 

A Berman tem sob sua gestão US$ 330 bilhões, além de também ter sido listada seis anos consecutivos como o melhor local para trabalhar entre as gestoras de recursos. 

A seguir, veja algumas das pontuações realizadas pela Neuberger Berman. 

 

Oportunidade em crédito privado 

Após a pandemia da COVID-19, os mercados de renda fixa sofreram choques sem precedentes, que reduziram os rendimentos de muitos títulos do governo. 

Em meio ao comprometimento do crescimento global e aos níveis históricos de estímulo monetário, prevemos um período potencialmente longo de taxa de juros zerada (ou negativa), com os bancos centrais comprando cada vez mais ativos de melhor qualidade. 

Com isso em mente, vemos uma oportunidade atraente nos spreads de crédito, com um foco inicial em títulos de boa qualidade justamente nos setores apoiados pelo Banco Central, que se expande para assumir mais riscos à medida que a pandemia segue seu curso. 

 

 

Implicações de investimento 

Em um ambiente de profunda contração econômica, flexibilização histórica da política monetária e estímulo fiscal significativo, esperamos que a volatilidade do mercado permaneça elevada durante o segundo trimestre. 

Conforme experimentado em episódios anteriores de maior incerteza, acreditamos que essas condições criarão oportunidades substanciais para investir recursos com vistas ao longo prazo em determinadas classes de ativos de renda fixa, como: 

 

Crédito de alta qualidade e alto rendimento: Nosso foco está nas empresas de “high grade que têm acesso à capital, o que ajuda a navegar pela volatilidade elevada no curto prazo. Também se faz necessário evitar inadimplências e diferenciar os créditos. Taxas baixas a negativas reforçam em todo mundo o valor prospectivo da classe de ativos. Embora seja provável que a volatilidade persista, com base em retornos históricos, a recente expansão do spread provavelmente criou um ponto de entrada atraente para investidores de longo prazo. 

Agência MBS:  Morgage Backed Securities (MBS) são títulos hipotecários originados por agências do governo americano e que atualmente possuem uma proposta de risco/retorno atraente, quando comparada aos títulos públicos, que visa ajudar a fornecer maior liquidez a partir do segundo semestre. 

Títulos municipais: Esperamos que a facilidade para conseguir recursos para munícipios do financiados pelo Fed continue a aliviar as tensões potenciais no mercado de títulos municipais. É previsível que a emissão deste tipo de títulos aumente no curto prazo. Dado o impacto econômico do COVID-19, o mecanismo do Fed deve reforçar a confiança ajudando na liquidez. 

Dívida governamental periférica europeia: Temos uma visão positiva sobre a dívida pública da maioria dos países periféricos da Europa, onde parte deles continua a compra massiva de títulos do BCE e deve apoiar os rendimentos soberanos, apesar dos crescentes déficits públicos. 

Crédito Europeu: Consideramos o grau de investimento europeu e o crédito de alto rendimento, pois devem se beneficiar de boas avaliações e eventual recuperação do sentimento de risco.  

Em nosso último relatório, esperávamos que 2020 fosse um ano de crescimento estável.  

Nosso posicionamento nas estratégias de renda fixa refletia essa ideia: ingressamos em 2020 com pesos moderados para vários mercados de spread, com busca por ativos de qualidade. Porém, devido aos acontecimentos recentes causados pela crise do Covid-19, revimos nossas estratégias para encontrar melhores oportunidades de investimentos. 

 

 

Onde estamos? 

Do ponto de vista do crescimento econômico, é claro que a economia global  experimentará uma profunda queda. Dados extraídos nos EUA e na Europa, em particular, sugerem que os mercados de trabalho sofrerão aumentos significativos no desemprego, provavelmente excedendo os piores níveis de 2008 a 2009.  

Além da duração dessa forte recessão ser desconhecida, o consumo, os padrões de poupança e investimento podem mudar nos próximos anos. 

Nossa expectativa é que o crescimento global permaneça fraco, mesmo para os padrões de pós-crise. Também é mais fácil demitir trabalhadores do que contratá-los; e parece provável que alguns fatores-chave das economias de mercado mais desenvolvidas, como o comércio varejista e as viagens, sejam impactados estruturalmente, tanto do lado da demanda quanto da oferta. 

Em meio à desaceleração relacionada ao coronavírus, segmentos inteiros da economia global ficaram ociosos. Com a queda acentuada da atividade comercial, prevemos que as perdas de emprego nos EUA serão severas, principalmente nos setores de varejo, lazer e hospedaria, que representam cerca de 21% da economia do país. 

Tais setores podem sofrer demissões na faixa de 50 a 75% do quadro de funcionários,  enquanto o setor de transporte pode ter perdas de 25 a 50%.  

No total, a taxa de desemprego pode subir para mais de 25 milhões de trabalhadores desempregados em um período muito curto. 

 

Conclusão 

Ainda não sabemos muito sobre o futuro. Muitas vezes, é fácil superestimar as mudanças estruturais nesse tipo de ambiente e subestimar as chances de o mundo simplesmente voltar ao “normal”. 

No entanto, suspeitamos que entraremos em um período de mudança geral. Os padrões de consumo e os trabalhos realizados em home office e não em escritórios são apenas alguns dos exemplos em que provavelmente ocorrerão as grandes mudanças. 

Os próximos anos exigirão mais flexibilidade de investimento e ajustes táticos à medida que navegarmos no mundo pós-vírus. 

Nossa visão é de que a ampliação histórica dos spreads de crédito criou uma oportunidade diferente de qualquer outra vista na última década.  

Há boas razões para acreditar que, após o pior momento da desaceleração global, a recuperação de crescimento do PIB será lenta com altos e baixos. 

Embora a oferta de títulos do governo provavelmente aumente devido a déficits fiscais ampliados, o apoio do banco central pode ser a chave para os retornos dos investimentos e deve manter as taxas de juros estáveis. 

 

Para ler o relatório na íntegra, acesse: 

https://www.nb.com/en/global/fiio/fixed-income-investment-outlook-2q2020