A crise do coronavírus trouxe algo diferente para o dia a dia das pessoas. Não apenas na área da saúde, onde pudemos constatar que claramente nenhum país estava preparado para lidar com o ocorrido, mas também em outras economias ao redor do globo.

Seria um mal nosso não olhar para o passado na tentativa de observar um comportamento parecido que poderia nos abrir brechas de oportunidades ainda que em meio à crise?

Mais precisamente no Brasil, tínhamos a tendência de baixa da taxa de juros justamente na tentativa de fazer com que o consumo, que já não era expressivo, fosse mais impulsionado. Dessa maneira, outro ponto também deveria se destacar:

“Se as taxas de juros estão caindo, investir em renda fixa passa a se tornar inviável, rentavelmente falando.”

O incentivo à entrada tanto na Bolsa de Valores, quanto em investimentos mais arriscados, passou a crescer. Viemos de uma euforia significativa nos últimos meses de 2019.

O que veio depois?

Como não era previsto (e de fato, prever a economia nunca é algo exato), tivemos uma crise que começou na área da saúde que contaminou todos os outros setores, literalmente.

Até então, não tínhamos o desprazer de combinar uma taxa de juros extremamente baixa e uma alta volatilidade na renda variável bem expressiva.

O caminho se abriu para ativos que não se enquadravam em nenhuma destas duas categorias, nem renda fixa e nem renda variável. Uma opção diferente.

A ideia aqui não é dizer para que você, nosso leitor, simplesmente fuja das duas e nunca mais olhe para trás. O que vamos tentar te mostrar é que

  1. Nada dura para sempre;
  2. A renda fixa não permanecerá em níveis tão baixos;
  3. A bolsa não é o melhor nem o pior dos mundos;
  4. Existem maneiras de se estabilizar no meio do caminho;
  5. E sim, o passado realmente pode te ajudar;

Olhando para trás

Bom, obviamente, esta não foi a primeira e nem a última crise que nosso país viu ou verá. Devo te lembrar de outra crise que já enfrentamos, a do Café.

O passado pode nos dar ideia do que virá pela frente. Antes da crise de 1929, o impensável se fez e queimamos nossos produtos para que a oferta fosse controlada e o preço parasse de cair absurdamente. Devo recordar-lhe também que naquela época, nossa economia girava em torno do café e tínhamos um lugar de destaque mundial como exportadores.

Em 1928 conseguimos exportar 15 milhões de sacas de café, detínhamos mais da metade do mercado mundial e estávamos na liderança das exportações do produto.

Um ponto se destacou e decisões erradas foram tomadas. Por mais que já produzíssemos quantidades de café suficientes para suprir a demanda global, a qual não detínhamos 100%, continuamos a aumentar a produção.

O resultado da crise

Tivemos novamente uma safra enorme que colocava em xeque o preço das sacas. Como a oferta era muito abundante, o preço acabaria por reduzir e ainda assim, com a concorrência estrangeira, a produção não havia de ser totalmente digerida pelo consumo.

Os produtores não contavam que a demanda no ano seguinte caísse em mais de um milhão de sacas, anunciando a vinda da crise do café brasileiro que derrubou novamente o preço da saca de café para menos de um dólar durante a crise de 1929.

Como o café demorava para estragar, as safras não eram jogadas fora e eram vendidas as do ano anterior e estocadas as do ano atual, a superprodução e as instabilidades do período também ocasionaram a desvalorização do câmbio da época.

O resultado foi a queima das sacas de café e nossa economia teve que se adaptar para enfrentar esta crise.

O que eu quero te dizer?

Ainda depois do nosso produto base, no qual nossa economia girava entorno, ter sofrido forte desvalorização, os anos se seguiram e tivemos altos e baixos tanto na economia quanto nos investimentos.

Vimos a taxa Selic chegar a 38% lá por volta de 1937/1938. Agora ela está em 2%, sua mínima histórica. Já vimos também a Bolsa de Valores quebrando recorde atrás de recorde, alcançando os 100 mil pontos. Assim como também vimos seis circuit breakers em um período de apenas 8 pregões.

As instabilidades, sejam econômicas, políticas, sociais ou financeiras não acontecem de hoje. Não devemos ter memória curta e acreditar que o melhor dos mundos já vai chegar. Assim como também não devemos ser pessimistas ao ponto de crer que nunca nada jamais será igual ou melhor.

O que se espera para a crise?

A economia ainda não deve retomar aos níveis do final de 2019. Muitos especialistas acreditam que a recuperação pode acontecer naturalmente e sem a interferência do governo no setor privado.

Este ponto de vista se baseia na seguinte hipótese: quando o cotidiano voltar ao normal, sem quarentena e sem Covid-19, haverá a tendência natural do mercado se reestabelecer, gerando renda aos poucos. Com a demanda crescendo e levando ao aumento das receitas de empresas que precisarão retomar maior capacidade de sua produção através da aquisição de novos meios e funcionários.

Também existe outra vertente que aponta para os incentivos vindos do governo, tanto para a distribuição de renda, como foi o caso do programa de auxílio emergencial, quanto para a criação de empregos públicos em obras e outras frentes. Fora os incentivos ao setor privado para que seja menos penoso a retomada das atividades do mercado privado.

 

 

Uma chance de estabilização da crise

De uma maneira ou de outra, nosso governo já demonstrou interesse em determinados auxílios tanto para a população quanto para o setor privado. É provável que a economia retome aos poucos e com ajuda. Ainda dependemos da estabilização da doença para conseguirmos seguir com mais precisão.

Alguns setores serão responsáveis por puxar a economia mais do que outros. No meio deste momento que foi caracterizado como “novo normal”, o anseio por tecnologia que fosse capaz de possibilitar em grande escala o home office foi destacado (como serviços de internet e armazenamento de dados, por exemplo).

Outros setores como o de construção civil se viram em um ambiente de baixa taxa de juros, o que favorece as vendas e como é um processo longo e que demanda muita mão de obra, será responsável por parte do avanço na retomada econômica quanto à geração de renda e emprego.

Existem diversas outras situações que nos mostrarão um caminho de estabilidade, algumas mais expressivas do que outras, obviamente. O fato é que o país sempre tentará caminhar pela melhor trilha.

Como vimos anteriormente com a crise do café, as instabilidades sempre ocorrem. Cabe a nós conseguirmos nos adaptar e nos reformular para o “novo normal”.

Entrando na economia real

Ao citar setores como o da construção civil, estamos falando da economia real – movimentações que são realizadas dentro da economia, responsáveis pela geração de renda e emprego. Investir na economia real ajuda a contribuir beneficamente para inúmeras pessoas e empresas voltarem a prosperar.

Dessa maneira, principalmente em tempos de crise, o estímulo à economia real faz com que tenhamos uma chance maior e melhor para lidar e sair dessa crise.

Existem diferentes maneiras para se investir na economia real, incorporações imobiliárias são uma delas. Esta é uma etapa que está dentro do processo de criação de um empreendimento. Ela possibilita lucro mesmo antes da venda na planta.

O que também contribui para que a construtora capte dinheiro e empregue ainda mais mão de obra, gerando renda.

Conclusão

Não podemos nunca esquecer nosso passado econômico, ele nos mostra inúmeras combinações de acontecimentos e inúmeros efeitos colaterais advindos tanto da crise em si como das reformas e políticas realizadas.

Dentro de uma crise sempre surgirá alguma oportunidade diferente, isso porque o processo de retomada da economia é lento e abre espaço para o crescimento do patrimônio, caso ele seja direcionado para a operação certa.

É possível encontrar brechas de entrada dentro de uma economia instável que busca a sua estabilização. Um olhar para o passado nos mostra que nada dura para sempre, nem um ciclo de alta e nem um ciclo de baixa.

Também não será fácil acertar completamente em uma previsão econômica, não porque os economistas são ruins, mas sim pelo tanto de variáveis que se comportam de maneiras totalmente diferentes. Aliás, como seria possível construir um modelo sem nenhuma constante? Em outras palavras, como seria possível saber exatamente o que vai acontecer, se as crises anteriores não foram exatamente iguais a esta?