Scott Welch, CIO da WisdomTree Asset Management, gestora especializada em ETFs e gerenciamento de portfólios desde 2006, fala sobre a regra da composição usada na diversificação dos investimentos através de ativos alternativos, volatilidade e modelo Vol Man.

Leia o resumo com tradução livre de seu texto “Alternative Universe: Come Sail Away” logo abaixo:

Os consultores estão demonstrando um interesse crescente em incluir estratégias com menor correlação (ou seja, alternativas) nos portfólios dos seus clientes. Isso porque as atuais interrupções do mercado induzidas pelo coronavírus e a crescente volatilidade que veio com ele, lembraram aos consultores o valor de criar portfólios mais diversificados, na tentativa de melhorar sua performance durante momentos de instabilidades.

Faz muito tempo que a regra de “compounding” precisava ser lembrada. Ela destaca que se você não perde tanto em mercados em queda, não precisa ganhar tanto em mercados em alta para ainda sair à frente no longo prazo. Justamente devido ao poder da composição:

O poder da composição

O autor deste texto, se questiona da hipótese de poder se contradizer ao também escrever sobre a importância de focar no longo prazo ao investir em um portfólio.

Sua linha de pensamento segue para a seguinte resposta: “Penso que não, e o motivo é a psicologia e o comportamento dos investidores. Não é que o mercado nem sempre tenha se recuperado de desacelerações em diferentes períodos de tempo – ele conseguiu. Mas, em mercados perturbadores, muitos investidores acham muito difícil manter a disciplina necessária para realizar recuperações a longo prazo.”

É aqui que as estratégias com menor correlação podem fazer a diferença ao melhorar a consistência do desempenho. Embora suba menos nos mercados em alta, mas, mais importante, perde menos nos mercados em baixa.

Muitos investidores acham mais fácil manter a disciplina com seus planos de longo prazo. Isso pode ter efeitos cumulativos potencialmente poderosos conforme evidenciado abaixo:

Por que limitar a volatilidade (risco de queda) é tão importante na diversificação?

Os investimentos alternativos abrangem uma ampla variedade de estratégias como de equity long/short, arbitragem e outros. O ponto comum entre eles é que não dependem simplesmente de ações ou títulos públicos para gerar desempenho. É exatamente por isso que eles tendem a ter correlações mais baixas com os mercados tradicionais, por não estarem atrelados a eles.

Historicamente, essas estratégias foram encontradas principalmente em  hedge funds e estavam disponíveis apenas para investidores qualificados. No entanto, após o “Grande colapso financeiro” em 2008, o mercado viu uma avalanche de fundos mútuos e, mais recentemente, ETFs que buscam entregar essas estratégias a mais investidores de varejo.

É importante observar que algumas dessas estratégias dependem de falta de liquidez e/ou alavancagem para gerar desempenho. Como tal, nem todas as estratégias de investimento alternativas se enquadram as normas do fundo mútuo ou à estrutura do ETF.

 

 

Modelo “Vol Man”

O modelo “Vol Man” é muito direto. Atualmente, ele consiste em posições igualmente ponderadas em quatro ETFs. Apesar do pequeno número de holdings, é provável que ele ofereça uma alocação menor correlacionada e bem diversificada para portfólios mais amplos:

  1. Um dos ETFs administra um portfólio de ações de longo e curto prazo que pode ser considerado uma estratégia beta baixa ou mesmo “tendenciosa” (short-biased).
  2. Uma segunda estratégia do ETF envolve a arbitragem de fusões – ou seja, na primeira ponta temos as empresas que estão sendo compradas e na segunda ponta temos as empresas que estão comprando. E, a estratégia acontece na tentativa de capturar os movimentos de preços de ambas as empresas à medida que do fechamento do mercado acontece.
  3. “The WisdomTree CBOE S&P 500 PutWrite Strategy Fund”: Como o nome sugere, o PUTW investiu bastante no Índice S&P 500 e depois vendeu opções de venda (put) contra esse Índice. O prêmio ganho ajuda a compensar parcialmente uma desaceleração no Índice. Como tal, é uma forma de realizar uma operação com “patrimônio coberto” (Hedge Equity)
  4. A estratégia final do ETF executa uma forma diferente de Hedge Equity. Uma vez que possui principalmente títulos do Tesouro dos EUA de longo prazo. O “hedge” mais tradicional para os mercados de ações complementa essa posição com opções de compra (call) de longo prazo (LEAPS) no Índice S&P 500.

As posições neste modelo têm correlação razoavelmente baixa entre si. Quando combinadas, apresentam uma correlação bastante baixa com ações e títulos tradicionais. Portanto, a adição dos investimentos alternativos em um portfólio mais tradicional de ações e títulos tem o potencial de melhorar a diversificação da carteira no geral.

 

O valor da diversificação

Quando os mercados sobem, como fizeram nos últimos 10 anos, as pessoas podem perder de vista o valor da diversificação.

Porém, com um regime de mercado potencialmente novo e mais volátil, uma melhor diversificação pode ser uma ferramenta poderosa para ajudar os investidores a manterem sua disciplina de investimento. Do mesmo modo que também possibilita aos consultores oferecer uma experiência de investimento mais diferenciada.

Os investidores qualificados podem ser empresas familiares ou indivíduos que possuem pelo menos US$ 5 milhões em investimentos. Eles também podem ser entidades ou indivíduos que investem no mínimo US $ 25 milhões em capital privado em nome de outras pessoas ou em suas contas financeiras pessoais. (Essa regra é a de classificação nos EUA, que difere da brasileira onde  é o investidor qualificado pode ser uma pessoa física ou jurídica no qual possui mais de um milhão de reais em investimentos e que ateste essa condição por escrito e/ou investidores profissionais).

 

Para ler o texto na íntegra, acesse:

https://seekingalpha.com/article/4358395-alternative-universe-come-sail-away