A economia e o mercado financeiro passaram por mudanças significativas ao longo dos anos — e muitas dessas transformações têm um grande potencial disruptivo. Dentro dessas novidades, é interessante compreender o conceito de desintermediação financeira.

Ela é parte de uma nova tendência que pode alterar a maneira como as pessoas se relacionam com o dinheiro e com as instituições financeiras. Nesse cenário, os bancos, por exemplo, podem deixar de ser essenciais para diversas transações.

Quer entender sobre o assunto? Neste artigo, você compreenderá o que é desintermediação financeira e aprenderá sobre o funcionamento dessa modalidade.

Continue a leitura e se informe sobre a tendência!

O que é a desintermediação financeira?

Desintermediação financeira — ou bancária — é a ação de emprestar ou pegar emprestado dinheiro sem o intermédio feito pelo banco. Para entender melhor, imagine que você fez uma reserva financeira e agora busca por soluções para rentabilizar os recursos.

No mercado tradicional, você pode buscar uma instituição financeira para aplicar o capital ou aproveitar oportunidades na bolsa de valores. Nesse cenário, também existem os tomadores, que são pessoas físicas ou jurídicas que necessitam de um aporte financeiro para as suas atividades.

É o que acontece, por exemplo, com os certificados de depósito bancário (CDBs). Os bancos criam o título para levantar recursos que serão usados em diversas áreas da operação — como a oferta de linhas de crédito no mercado.

Logo, ao aplicar em títulos, o poupado — também conhecido como agente superavitário — deposita os seus recursos na instituição. Dessa forma, o banco poderá emprestar o dinheiro desse investidor para os tomadores, que são agentes deficitários.

Nesse cenário, há a ação do spread bancário. Por exemplo, imagine que o investidor aplica o dinheiro com a promessa de obter uma rentabilidade de 10% ao ano. Nesse caso, a instituição fará empréstimos aos tomadores cobrando percentuais mais altos que esses — em um processo marcado pela burocracia.

Já com a desintermediação financeira há a retirada do intermediador, permitindo a conexão direta entre poupador e tomador. Desse modo, a operação pode gerar oportunidades para ambos, aumentando a rentabilidade do superavitário e diminuindo a taxa paga pelo agente deficitário.

Como ela funciona?

Como você viu, a desintermediação financeira pode ter impacto positivo no mercado financeiro. Por isso, é oportuno saber como ela funciona.

Antes, vale destacar que ela está presente em um movimento responsável por causar disrupção no mercado financeiro: a descentralização. A tendência ganhou força com o bitcoin e permitiu o surgimento de novas criptomoedas e alternativas de finanças descentralizadas (DeFi).

Esse mercado tem o objetivo de gerar novas soluções para empresas e pessoas. As mudanças são possíveis pela redução da presença das organizações intermediárias. Em vez disso, a tecnologia blockchain assume uma função relevante e validadora em todo o processo.

Ela possibilita a realização de diversas operações sem a necessidade de servidores centrais. As transações acontecem no próprio sistema, que registra todas as movimentações e traz agilidade, segurança e transparência para os usuários.

A desintermediação funciona a partir de lógicas similares. Elementos presentes em blockchain, como os smart contracts (contratos inteligentes e autoexecutáveis), são mecanismos comumente usados para viabilizar as operações.

No entanto, apesar dos aspectos positivos, as operações também envolvem riscos. Por isso, é necessário que os participantes efetuem gerenciamento de risco — já que não há a ação de bancos intermediando esses processos.

Quais são as normas da desintermediação financeira?

Agora que você entendeu o que é a desintermediação financeira e como ela funciona, vale a pena compreender as suas normas. Afinal, ela representa um processo novo no mercado financeiro — e pode despertar dúvidas.

Como você acompanhou, esse movimento de descentralização agora é parte do cenário nacional e internacional. No contexto brasileiro, ainda há poucas normas em vigência, mas o Banco Central (Bacen) e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) trazem determinações sobre o assunto.

Na prática, elas precisam que a responsabilidade de fiscalização seja distribuída com os demais agentes financeiros que participam dessas operações — como bandeiras, emissores etc. Dessa forma, é possível monitorar as ações sem o intermédio de um banco, ajudando a prevenir irregularidades.

Como a desintermediação financeira pode ser usada?

Até aqui, você já aprendeu o que é a desintermediação financeira e como a prática funciona. A seguir, confira quais são as principais formas de utilização dela na economia e as vantagens que as práticas oferecem!

Peer-to-peer lending

O peer-to-peer lending, também conhecido como P2P, é uma alternativa de empréstimo diretamente entre duas partes. Em português, ele pode ser chamado de empréstimo ponto a ponto e pode ser uma maneira de encontrar melhores condições de juros.

Nessa modalidade, é possível que um grupo de pessoas se una para ofertar maiores quantias nas operações — criando os chamados pools de liquidez. O peer-to-peer lending é uma prática que oferece vantagens como diminuição da burocracia, juros mais baixos para o tomador, rapidez, melhor retorno financeiro para o investidor, entre outros.

Essa alternativa está presente na desintermediação por não envolver diretamente instituições financeiras. Ainda, o P2P pode ser viabilizado a partir de smart contracts, via blockchain.

Crowdfunding

O crowdfunding também pode usar a desintermediação financeira. A expressão vem do inglês e junta as palavras “crowd”, que significa multidão, e “funding”, que seria fundo ou financiamento. Então a união dos dois termos cria a ideia de financiamento coletivo.

Essa estratégia permite a empresas e pessoas engajar uma comunidade para investir recursos em um projeto, por exemplo. Desse modo, eles podem escapar de custos altos nos bancos e ainda oferecer participação nos lucros para aqueles que investiram.

Tokenização

Por fim, a tokenização é outra oportunidade da desintermediação financeira. Como o nome adianta, a prática prevê a transformação de um ativo tradicional ou físico em um token. O processo busca facilitar a movimentação e as negociações entre empresas e pessoas e vice-versa.

A tokenização pode ser aplicada em diversos segmentos econômicos, como precatórios, obras de arte, imóveis, direitos autorais de músicas e outras possibilidades — tangíveis ou intangíveis.

Por estarem fora do mercado tradicional, os ativos tokenizados compõem a área de investimentos alternativos. Eles podem ser uma oportunidade vantajosa para diversificar sua carteira e ampliar sua rentabilidade no mercado.

Ao longo deste conteúdo, você entendeu o que é a desintermediação financeira e como a prática funciona. Agora é possível analisar as características para encontrar as oportunidades que podem ser aproveitadas em suas finanças!

Quer continuar seu entendimento sobre as mudanças no mercado financeiro? Confira o conceito de economia real e conheça as oportunidades!